O maior campo de petróleo do Brasil está passando por testes de produção. O bloco de Libra inaugura um novo modelo de arrecadação da União, por partilha, e exige uma logística imensa, com várias plataformas e novos sistemas. Entenda como será essa operação.
O bloco de Libra é o maior campo de petróleo do Brasil. Ele está localizado na camada do pré-sal, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. Fica a cerca de 170 quilômetros da costa do Rio de Janeiro.
De acordo com a Petrobras, é um dos maiores e mais promissores projetos da indústria offshore, que ainda representa um salto tecnológico no segmento de águas ultraprofundas.
Para administrar essa área gigantesca de produção, o governo federal realizou um leilão de partilha em 2013 para gerir esse campo.
Petrobras
operadora
40%
Shell
20%
Total
20%
CNPC
10%
CNOOC
10%
PPSA*
Pré-Sal Petróleo S.A
* Empresa estatal criada em 2013 para administrar o petróleo do pré-sal que cabe à União nos contratos pelo regime de partilha.
Apesar de a licitação para exploração dessa área ter sido feita em 2013, foi só em 26 de novembro de 2017 que a Petrobras e seus parceiros iniciaram a produção do bloco de Libra.
Foi nesta data que entrou em operação o FPSO Pioneiro de Libra (unidade flutuante que produz, armazena e transfere petróleo), que está dedicado a testes.
Esse teste tem duração prevista de um ano, para avaliar o comportamento do reservatório de petróleo.
50 mil
barris de petróleo
4 milhões
de metros cúbicos de gás associado
12 poços
foram perfurados no bloco até o momento
A porção noroeste do bloco de Libra é a área que está no início do desenvolvimento da produção e já possui declaração de comercialidade. Por isso, a jazida foi batizada de Campo de Mero.
foto:Brett Seymour/Wikimedia commons
O Mero é um peixe marinho de grande porte, do gênero Epinephelus, que crescem lentamente e podem atingir mais de dois metros de comprimento e 400 quilos. Os peixes vivem em manguezais, recifes de corais e ambientes rochosos, principalmente no Sudeste e Sul do Brasil.
Todos os campos marítimos devem ser batizados com nomes de espécies marinhas.
A operação no Campo de Mero é feita com o FPSO, um tipo de plataforma flutuante, convertida a partir de navios petroleiros e que pode ser ancorada no solo marinho.
Essa plataforma pode alcançar mais de dois mil metros de profundidade e é usada para atividade de produção, pois já possui capacidade de armazenamento.
Para escoar a produção, o óleo é exportado para navios petroleiros. A capacidade de armazenamento do FPSO permite a operação a grandes distâncias da costa, como é o caso deste campo que fica a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro.
180 mil
barris de petróleo
12 milhões
de metros cúbicos de gás associado
2,1 mil metros
é a profundidade de instalação da unidade
*FPSO é a sigla, em inglês, para a unidade que produz, armazena e transfere óleo e gás.
O bloco de Libra foi a primeira área licitada no modelo de partilha no Brasil.
Nesse modelo, o consórcio que executa as atividades assume o risco de exploração e, no caso do pré-sal, a participação do governo deve ser de, no mínimo, 30% – em Libra, a Petrobras tem 40% do consórcio.
Já na licitação é determinado que o critério de julgamento é o percentual de excedente em óleo, o óleo-lucro. Ganha quem oferecer à União maior participação no volume de óleo produzido.
No entanto, se uma eventual descoberta nessa área de partilha for inviável economicamente, o consórcio não recebe nenhum tipo de indenização da União.
Já em casos de descobertas comerciais, o consórcio recebe volumes de produção que correspondem a suas despesas na exploração, que é chamado de óleo-custo, além dos volumes de produção correspondentes aos royalties devidos e o óleo-lucro. O valor dos royalties vai para a União, que por sua vez distribui para estados e municípios.
Fonte: Redação. Infografia: Gazeta do Povo.